Reabertura do Estreito de Ormuz não deve adiantar baixa dos preços da gasolina no Brasil
- TV G SAT

- 17 de abr.
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Mesmo com a reabertura da rota estratégica, tensões entre Irã, Estados Unidos e Israel prolongam incertezas no setor energético e impedem queda imediata nos preços dos combustíveis.
Por: Luís Gustavo Cabral Ardenghe
O Estreito de Ormuz sempre desempenhou um papel estratégico no transporte de petróleo, sendo uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, com aproximadamente 20% de todo material petrolífero do mundo passando pela rota.
Portanto, com a intensificação da guerra entre Estados Unidos/Israel contra Irã no dia 28 de fevereiro, um ataque coordenado de mísseis a várias localidades do território iraniano aumentou a tensão em uma rivalidade que já se estende por mais de quatro décadas.

Após os ataques dos EUA/Israel em seu território, o Irã respondeu atacando, barrando o Estreito de Ormuz, um dos principais meios mundiais de exportação do petróleo, afetando assim, não só seus inimigos, mas também o mundo inteiro.
O Brasil também foi afetado, e podemos ver que, mesmo com a gasolina ainda não tendo esse aumento aplicado, já se encontra em alto preço, custando aproximadamente R$ 6,30 em território brasileiro, custo esse elaborado pela Petrobras com dados da ANP e do Cepea/USP.
Segundo a presidente da Petrobras, as distribuições ocorrem normalmente e não houve mudança no valor da gasolina nas refinarias. “Esperamos que, nesse momento difícil para a sociedade brasileira e mundial, haja sensibilidade suficiente para não buscar aumento de margem de forma especulativa”, afirmou.
Para combater essa futura alta nos preços dos combustíveis, o governo emitiu uma nota em seu site sobre uma medida provisória que visa cortar o preço do diesel para encarar o preço do petróleo.
Portanto, com a reabertura do estreito nesta sexta-feira (17), tinha-se uma esperança de que o preço da gasolina brasileira reduzisse, já que, na teoria, foi liberada a passagem do petróleo para as rotas brasileiras. Porém, o que ocorre é diferente do aplicado, já que um dos nossos principais importadores de petróleo é os Estados Unidos e Donald Trump declarou que, apesar de a rota estar aberta para todo o mundo, ainda continuará fechada para os americanos até que se firme um acordo com o Irã. "O bloqueio naval seguirá com força e efeito total no que diz respeito ao Irã, até que nossa transação com o Irã esteja 100% concluída", disse o presidente americano.

Durante uma entrevista para a Band News, Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), expôs os desdobramentos desse episódio sem precedentes e advertiu que é pouco provável que o mundo volte ao que era antes dos confrontos entre Irã, Estados Unidos e Israel. “Sempre houve uma ameaça, mas nunca fechou. E dessa vez fechou”, destacou o especialista.
Em sua declaração, também foram discutidas possíveis alternativas mundiais para uma certa independência em relação ao estreito com os países no mundo, incluindo o Brasil, declarando uma certa incerteza com relação aos futuros preços, porém afirmando que não devem abaixar tão cedo. “A geopolítica do petróleo e do gás no mundo mudou", afirmou Pires, indicando que a incerteza passará a ser a condição predominante no mercado de energia.



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