Como a derrota do Orban afeta as eleições brasileiras
- TV G SAT

- 15 de abr.
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O que podemos esperar da derrota do Orban para o Brasil em ano de eleição e qual a sua relação com a extrema direita
Por: Luís Gustavo Ardenghe
A derrota de Viktor Orbán após 16 anos no poder marcou um ponto de inflexão na política europeia e enfraquece a projeção internacional de lideranças associadas ao chamado “iliberalismo”.
Diferente de uma ditadura clássica, que toma o poder pela força, o iliberalismo geralmente nasce dentro do sistema democrático e o destrói por dentro. Ele se alimenta de um forte nacionalismo e de um discurso populista que divide a sociedade entre "o povo verdadeiro" e as "elites corruptas" ou "inimigos externos".
No Brasil, o iliberalismo surgiu em decorrência da crise da nossa democracia representativa, e alcançou o governo em 2018 durante o mandato do ex presidente Jair Bolsonaro, que também era aliado de Viktor.

foto: BBC NEWS - Orban em uma conferencia com o ex presidente Jair Bolsonaro
O caso também mostra que o apoio de lideranças estrangeiras, como Donald Trump, não garante vitória e pode até ter efeito contrário, podendo até mesmo afastar parte de seus futuros eleitores.
Portanto, ao analisar a derrota no contexto brasileiro, percebe-se que o embate eleitoral entre Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro tende a ser acirrado. Lula mantém um governo consistente, mas ainda precisa ampliar sua base social para viabilizar a reeleição.
Do outro lado, Flávio, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, também depende de expandir seu apoio para além do eleitorado já consolidado do bolsonarismo, caso queira se viabilizar eleitoralmente pela primeira vez em uma disputa presidencial.
A derrota de Viktor Orbán, entretanto, não representa um ganho direto para o governo brasileito atual. O resultado não se explica só pela rejeição ao alinhamento internacional do premiê húngaro, mas principalmente por problemas internos, como inflação alta, denúncias de corrupção e desgaste do governo.
Portanto, no Brasil, questões como economia, custo de vida e confiança nas instituições devem pesar mais do que qualquer influência externa. A derrota de Viktor Orbán serve como um sinal de alerta, mas não como um indicativo direto de um resultado, mostrando que o eleitor tende a responder, antes de tudo, à sua própria realidade.



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